terça-feira, 1 de maio de 2018

"Não nos enganemos: grandes espíritos são céticos. Zaratustra é um cético. A fortaleza, a liberdade que vem da força e sobreforça do espírito, prova-se mediante o ceticismo. Homens de convicção não devem ser levados em conta em nada fundamental referente a valor e desvalor. Convicções são prisões."
(Friedrich Nietzsche, O anticristo)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Sobre ideologia(s) de gênero(s)


Está totalmente em voga, principalmente na boca e na "cabeça" de pessoas reacionárias, a expressão ideologia de gênero para tentar designar pejorativamente os estudos de gêneros que buscam analisar criticamente como são estabelecidas sócio-histórico-culturalmente as identidades sexuais e também as sexualidades humanas, assim como as relações de poder traçadas a partir dos discursos sobre gênero, sexo e sexualidade. A contraposição aos estudos de gêneros é proveniente de concepções essencialistas de mundo que atribuem à Natureza a constituição das identidades sexuais, da sexualidade e das próprias relações entre os gêneros. Tais essencialismos sexistas partem ora de visões religiosas, presentes, por exemplo, em discursos da pastoral cristã, ora de perspectivas científicas que procuram "comprovar" a identidade de gênero e a sexualidade humana como biologicamente pré-determinada. Enquanto que esse primeiro essencialismo sexista é endossado pelo dogmatismo religioso, o segundo é endossado por um ingênuo (ou não) dogmatismo científico que pressupõe uma generalizante naturalização das diferenças sexuais como base para todas as pesquisas a serem desenvolvidas, desconsiderando profundamente os fatores sócio-histórico-culturais. 
O grande problema ético dos essencialismos sexistas (como a própria expressão já denuncia) é a manutenção consciente ou inconsciente, voluntária ou involuntária, de ideologias e de discursos que promovem e endossam a misoginia, o patriarcalismo, o machismo, a homofobia, a transfobia e a heteronormatividade, que estão e que foram difundidos profundamente em diversos contextos sócio-histórico-culturais. Dessa forma, todo e qualquer discurso que tenta ir contra os estudos (críticos) de gêneros, denominando-os como ideologia de gênero, dissimula (cegamente ou não) que é também uma ideologia de gênero. Em outras palavras, tanto os estudos de gêneros quanto os essencialismos sexistas são, evidentemente, ideologias de gêneros; entretanto, a abissal diferença decorre do fato de que, enquanto os estudos de gêneros buscam criticar e desconstruir concepções de mundo misóginas, patriarcalistas, machistas, homofóbicas, transfóbicas e heteronormativas, os essencialismos sexistas procuram consciente ou inconscientemente apenas perpetuá-las. Vale ressaltar, especialmente aos leigos nesse assunto, que os estudos de gêneros não buscam negar que existe uma diferença sexual biológica na nossa espécie ou destruir a heterossexualidade e a família heteroparental, mas apenas desnudar os construtos sócio-histórico-culturais e discursivos que as estabelecem, desconstruindo assim as sexistas ideologias essencialistas em torno do imperativo heterossexual.

(Frédéric Grieco)


A seguir, indico quatro excelentes estudos críticos sobre identidades de gêneros e sexualidades:
  • O segundo sexo, de Simone de Beauvoir.
  • História da sexualidade, de Michel Foucault.
  • Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade, de Judith Butler.
  • O corpo educado: pedagogias da sexualidade, organizado por Guacira Lopes Louro.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Os contos da maçã

Publico aqui, através do link que se segue, a terceira edição da minha segunda obra literária, composta por oníricos, oblíquos e pitorescos contos. Eis Os contos da maçã:



quarta-feira, 3 de agosto de 2016

"Em nome do desejo": um homoerótico romance de João Silvério Trevisan

João Silvério Trevisan

Em nome do desejo, obra literária de João Silvério Trevisan, publicada originalmente em 1983, narra, de forma tocante, sensível e poética, o intenso (e tenso) relacionamento homoafetivo entre os personagens João e Abel, a partir das lembranças de João sobre o período da juventude em que viveu num Seminário católico.

A seguir está indicado o link para a leitura de um artigo científico, intitulado "Homoerotismo masculino e relações de poder no romance Em nome do desejo, de João Silvério Trevisan", que publiquei, na Revista Alpha, sobre essa envolvente obra:

segunda-feira, 21 de março de 2016

The rebel rebel David Bowie


O britânico David Robert Jones, conhecido artisticamente como David Bowie, se consagrou como um dos melhores cantores e compositores de rock da história pelas suas rebeldes e autênticas letras, personalidade e voz. Em tributo a tal ícone da cultura pop que faleceu, com 69 anos de idade, no começo de 2016, Lady Gaga, no 58º Grammy, cantou vários trechos de grandes sucessos de Bowie, tais como Space Oddity (1969), Changes (1971), Ziggy Stardust (1972), Suffragette City (1972), Rebel rebel (1974), Fashion (1980), Fame (1978), Under pressure (1982), Let's dance (1983) e Heroes (1977). Tal tributo de Gaga a Bowie pode ser visualizado através do seguinte link:
                                http://www.slate.com/blogs/browbeat/2016/02/15/lady_gaga_sings_a_bowie_medley_in_tribute_at_the_grammy_awards_video.html

David Bowie como Ziggy Stardust

Com um estilo musical eclético, várias das canções de Bowie possuem um profundo caráter de crítica social e comportamental, destacando-se Life on Mars? (1971), Starman (1972) e Under pressure (1982), que possui uma co-autoria com o grupo Queen, o que resultou no célebre dueto de David Bowie com Freddie Mercury.

Contando com um grande número de hits, várias músicas de Bowie deixaram um enorme legado na cultura musical pop e tiveram cena até mesmo no meio cinematográfico, como, por exemplo, na quarta temporada da série American horror story: freak show (2014-2015) com a maravilhosa interpretação de Life on Mars? por Jessica Lange, através da personagem Elsa Mars. 
A seguir estão postadas tais memoráveis canções de David Bowie:





                                       

segunda-feira, 7 de março de 2016

Sobre a nova série Cosmos

Neil deGrasse Tyson, apresentador/narrador da nova série Cosmos
A nova série Cosmos: uma odisseia no Espaço-Tempo, exibida pela primeira vez em 2014 pela Fox e pelo National Geographic Channel, apresentada pelo divulgador científico e astrofísico estadunidense Neil deGrasse Tyson, trata-se de uma continuação da série de documentários científicos apresentados por Carl Sagan, Cosmos: uma viagem pessoal, exibida originalmente em 1980 pela emissora PBS. Além de retomar e aprofundar vários assuntos apresentados na série original, a nova série Cosmos traz diversos novos assuntos sobre Astrofísica, Biologia e História da Ciência, contando com excelentes efeitos especiais e edições, imagens espetaculares, animações e uma narrativa documentária ágil e envolvente que muitas vezes se assemelha a da ficção. Assim como a série original, o novo Cosmos é composto por 13 episódios com cerca de 50 minutos de duração cada um. Trata-se de uma continuação de documentários científicos tão fascinantes, instigantes e muitas vezes comoventes quanto os da série original. 


"Reacionária é a justificação do mal em qualquer tempo. Reacionário é o olhar cúmplice da opressão." (Alfredo Bosi, O ser e o tempo da poesia)